Oswaldo, meu irmão mais novo

Sabe aquele irmão bem mais novo? Aquele com uma distância enorme de idade, que é o mimado da casa? Que acha que pode tudo e é dono de tudo?

Então, esse era o Oswaldo.

E sim, ele podia tudo e era dono de tudo.

O rapaz gostava muito de ficar num canto do meu armário. Quando a porta estava fechada, ele sentava na frente e me chamava pra abrir. Se eu demorasse, ele dava um jeito de abrir e se virava sozinho.

A cadeira que eu comprei pra trabalhar sentado na mesa, não deitado na cama (montado no laptop), logo virou a cadeira do Oswaldo. E disputamos como irmãos disputam um brinquedo novo.  Chegando ao ponto dele me tapear pra ficar com a cadeira. Eu estava sentado lá, ele foi na janela e bateu no vidro, pedindo pra eu ir lá abrir pra ele. Levantei e fui lá. No meio do caminho o gato sai correndo e rouba a minha cadeira. E ele ficou com ela. Ele me venceu, merecia ficar com o prêmio. Foi mais esperto que eu.

Mas quando eu estava trabalhando até tarde ele tava do lado. Ou em cima.

Ele era tão carismático, que fez amigos no prédio.

Os netos da minha vizinha, de porta, ficavam animadíssimos quando o viam. Eu só ouvia duas crianças gritando “OSWALDO!!!”.

A vizinha, do quinto andar, deu uma fonte pra ele beber água. Que era do gato dela porque ela ficou sabendo que ele tava com problemas urinários.

A chinesa, que morava aqui no prédio, ficava encantada com o Oswaldo na janela. Cansei de ouvir barulhos estranhos, olhar pra baixo e ver ela lá “conversando” com o gato.  Se me encontrava na portaria sempre falava as mesmas duas palavras “Cato pleto!” Ela tentava.

Sem contar com as várias vezes que parava gente de baixo da janela pra ver o gato que gostava de viver perigosamente.

Tanto que um dia ele caiu lá em baixo.

Não o achava aqui em cima, desci pra procurar e achei de baixo de um carro, escondido. O porteiro disse que tentou pegar, mas o gato rosnou (gato rosna?) pra ele. O Oswaldo aprendeu direitinho a não falar com estranhos.

E levou isso tão a sério que ficou conhecido no veterinário anterior como “Oswaldo, o Bravinho”. No último, eu tinha que estar presente pro gato ficar mais calmo e não matar o Doutor, que tentava (inutilmente) virar amigo do Bravinho.

Eu nunca tinha perdido ninguém da família, com quem eu tivesse muito contato. E não sabia “como funcionava”. Cheguei até a estranhar a falta que um gato (ou como a Lu me corrigiu “Não era um gato, era o Oswaldo”) me faz. Realmente, senti como se um ente querido tivesse morrido.

Mas era um ente querido.

E fiquei surpreso como as pessoas que me conhecem muito, ou pouco, notaram isso.

Desde gente que convive comigo diariamente, passando por amigos de internet e até gente com quem convivi muito pouco, mas notou. Claro que as 127 fotos dele no Instagram ajudaram a mostrar isso. Mas eu não fazia ideia de que era tão claro.

Dessas fotos, algumas me lembram bastante ele.

Se interando das notícias:

Participando das refeições:

Me acompanhando em QUALQUER momento:

Bebendo água da maneira que mais gostava:

Se preparando pra viajar:

E, claro. Dentro de caixas:

Sempre mostrando quem manda:

Até selfie ele fez. Antes da Hellen:

Obrigado pelos 29 meses, Oswaldo.

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